Memórias

Hortências e Perroxil

Escrevi essa reflexão pessoal em 17/01

Na terça passada, meu avô veio a falecer. Ele já estava mal, eu estava longe, a noticia não me surpreendeu. Fiquei até pensando na minha insensibilidade perante o acontecimento, principalmente por boa parte da família estar lá.

Eu não convivi com meu avô, só o via uma vez a cada 2 anos, mais ou menos. Os encontros breves, sem grande profundidade. Talvez por meu avô ser mais reservado, embora sempre carinhoso e bonachão. Lembro de ir em sua casa poucas vezes, mas sempre gostei de ir lá. As memórias aos poucos se desmancham, se enfraquecem.

Hoje, descobri que hortências mudam de cor conforme a acidez do solo. Hortência que ganhei do meu outro avô. Me faz pensar a natureza das relações e como depende de nós cultivá-las. Podemos sempre dizer que depende do outro também, mas isso não nos isenta de nosso lado. Ao acordar de manhã, penso nas pessoas ao meu redor, em manter viva a memória. Leio uma história de meu tio, uma memória dele com meu avô, preservada por 50 anos, eternizada. Uma simples memória de uma aventura, transformada numa relevante metáfora sobre o falecimento do meu avô, cheia de significado. Aí sim, senti pelas palavras tão curtas e simples, sem rodeios, a relação de afeto que nos une. Mais do que unir um pai com um filho, une toda uma família, une todos nós, talvez. Chorei. Li de novo. Chorei de novo.

Enquanto vivemos nos cabe eternizar memórias e momentos. Um dia possivelmente estaremos todos juntos relembrando, revivendo, transformando simples experiências em tesouros. Fica em mim um sentimento, de que meu avô esteja em paz, terminado seu sofrimento, sua travessia. E fica a vontade de cuidar das hortências, para que, assim como memórias de experiências de convívio, floresçam no futuro.

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