Ciudad

Os ex-muros da Ciudad

As cidades são solitárias. Tirando talvez aquelas que estão conurbadas, isso se explica por uma questão física. Mas até estas, mesmo estando unidas com outras, vivem num "frenesi introspectivo, tão preocupadas com seus problemas, que se tornam solitárias. E normalmente suas irmãs estão dormindo o tempo todo.

A Ciudad não tem mais muros, eles caíram da noite pro dia, deixaram de existir, nunca existiram. Depois de breve período até a memória deles se esvaiu. Podemos ver o horizonte agora? Podemos enxergar longe, tirar fotografias do mundo inteiro? Sim! Mas lá fora só tem um deserto, uma terra árida. Onde está o mundo lá fora? É esse mesmo.

O poeta, memória viva das coisas importantes que ficam dentro da gente, se lembra bem dessa sensação, dos muros inexistentes, do olhar se perdendo no horizonte, trazendo solidão ao coração. Tomou seu instrumento, agora uma pequena flauta, doce e aguda, e passou a entoar uma suave melodia. Se você prestar atenção, pode ouvir as palavras que à acompanham.

A Ciudad de cara nova

Estamos atrasados. Foi uma correria, e a ciudad ainda não está na verdade de cara nova. Não como pretendo que ela esteja. Mas por enquanto a mudança de lugar e os novos ares prometem um retorno às atividades normais. Aguardem os novos posts!

Abraços à todos!

Horizonte distante-ante-ante...

"Ufa!", terminou de subir no morro. O menino já estava cansado. Sentou e vislumbrou os arredores. Sorriu. De fato, o viajante estava certo, era um novo horizonte. Mas não era o primeiro. Ele se lembrou de tantos outros do passado. Aprendeu que por maior que pareça um horizonte, não se pode ver tudo nele. Tem horizontes vizinhos, tem horizontes opostos, tem até aqueles horizontezinhos dentro dos maiores. Cada um é único, importante.

Entre Ratos e Traças...

Algumas vezes o menino resolvia visitar a biblioteca da Ciudad. Não eram motivos excusos como tédio ou ócio que o levavam lá, mas também nenhum motivo muito especial ou urgente, nenhuma necessidade específica. Era apenas o dia de ir lá, o céu dizia isso. E caminhava só, sliencioso, por entre as muitas estantes, como se estivesse à comer as introduções sem lê-las, só pra poder escolher algo interessante para se ler.

Dois Anos

Como é de costume, o dia amanheceu nublado. Céu de muitos cinzas. A Ciudad esteve em intensas atividades ultimamente, acromática. Esqueceu-se de si. Não totalmente, nunca totalmente.

Foi assim em algum momento do passado...

Pedras pequenas e escorregadias preenchiam a pequena estrada. O menino observava os pequenos brilhos com interesse. Talvez não soubesse ao certo o que significava aquele lugar. Talvez ninguém saiba. Havia uma placa, mas não conseguia ler o que estava escrito. Parecia um aviso. O caminho continuava adiante, logo desaparecendo em curvas misteriosas. Virou-se para observar as duas figuras que o seguiam.

A Ponte

"Eco, eco, eco".

Brincava o menino próximo ao precipício. Era uma fenda que descobrira à pouco. Nem podia ver direito o fundo dela. Era bem grande e não podia contorná-la também. Logo se cansou do eco, e passou a observar com curiosidade o outro lado. Era parecido com o seu lado, com diferenças em alguns detalhes. Às vezes os detalhes eram tão marcantes que parecia outro mundo. De repente, notou a existência de algo que se movia, gracioso. Olhou melhor, e viu que era uma menina. Acenou para ela, e ela logo retribuiu. Já estava observando-o anteriormente.

"Olá!"

Um ano...

O menino fitou o calendário, confuso... "Droga, é hoje"... Nem bem engoliu seu café da manhã após a longa noite de sono, vestiu sua camisa listrada azul e branca, deu uma arrumada nos cabelos, calçou as sandálias novas, e saiu correndo para a rua.

"Hoje é dia de festa"

Capítulo 53 - Cena 15

"Cheiro de chuva", piscou algo em sua mente, alardeada pelo odor úmido e agradável. Desde que não podia mais enxergar, o olfato lhe trazia muitas surpresas. Mas essa era especial. Estava de volta à Ciudad. Foram longos nove anos de exílio. Voltar para seu lar após tanto tempo e tanta luta era algo que lhe causava um redemoinho de sentimentos. Era confuso, sim, e trazia memórias demais. Algumas abstratas, impossíveis de se identificar, talvez fossem memórias de sentimentos, cujas circunstâncias tivessem caído no oceano do esquecimento.

Victor Jara e a Ciudad del Pico

"Somos cinco mil aquí.

En esta pequeña parte de la ciudad.

Somos cinco mil.

 

¿Cuántos somos en total

en las ciudades y en todo el país?


Somos aquí diez mil manos

que siembran y hacen andar las fábricas.


¡Cuánta humanidad

con hambre, frío, pánico, dolor,

presión moral, terror y locura!

 

Seis de los nuestros se perdieron

en el espacio de las estrellas.

Un muerto, un golpeado como jamás creí

se podría golpear a un ser humano.

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