Prosa Poética

Minha primícia?

Espalha-se o meu eu como se espalharam seus seguidores. Sem entender nada, apavorados e sem fé, cada qual escondido em um canto sem esperança. Não entendendo nem passado, agora apenas um amontoado desorganizado de vagas lembranças, nem presente, choram pateticamente, nem mesmo de luto, talvez, mas como crianças imaturas quando não encontram mais os pais, ainda que tivessem sido avisadas.

E não me arde o coração, quando me fala dos livros e de sua vida, e de todo o Universo?

Advento

Em tempos de excesso, de compras, de chuvas, de festas, de calor, parece que sentimos este desconforto, o sentimento de que muito menos seria necessário. Porém, temos medo, não temos a coragem de João para nos despojarmos, não saberíamos celebrar com pouco, teríamos dificuldade em reconhecer que nossas expectativas são exageradas, que muitos dos nossos sonhos são feios e vorazes. Assim, podemos nos preparar para o Natal, reconhecendo nosso desconforto e preparando um caminho singelo, singular. Advento.

Sebastião Molina Sanches

Ensaio sobre a Surdez

Música despertando... O martelo e a bigorna em plena atividade desde o primeiro abrir das pálpebras. São dois pequenos ossos, que juntos com o tímpano transformam ondas de compressão e descompressão do ar em estímulos nervosos interpretados pelo cérebro. Do outro lado, um aparelho emite essas ondas om um eletroímã. Eletroímã é uma bobina que, ao ser atravessada por uma corrente elétrica, gera um campo magnético. A variação na corrente faz o eletroímã e o ímã se atraírem e repelirem em determinada frequência, que ao ser interpretada pelo cérebro, interrompe o ciclo de sono humano.

Uma outra segunda-feira ...

... por ser parecida com um sonho, às vezes os dias se repetem na Ciudad, e os sentimentos são recorrentes... O dia relatado anteriormente reacontece...

O dia hoje é de início do resto... Um dia de tristeza, mas um dia de esperança, pois a vida continua...

Mesmo assim, o porto estará aberto, se a brisa resolver soprar algum dia...

Cegos na estrada

Na beira do caminho, ali depois de Jericó. Estamos por ali, sentados, à mendigar. Somos cegos pelo caminho, carentes de tudo. Não podemos seguir adiante, pois tropeçaremos no primeiro abismo.

Mas apuro os ouvidos. Uma multidão segue pela estrada. E falam de alguém. Eu sei quem é, é quem esperei a vida toda, a única esperança que me mantém vivo. Esse é o momento. Só ele pode. E estamos a chamar e gritar: "Filho de Davi, tenha pena de nós!"

Documento nº 3154

Assunto: Sobre os Evchan e Nevchan

1-) Introdução
Segundo a pesquisa psicomelodramatoarqueológica, segue-se o que já foi documentado à respeito do tema


2-)Indisposições Iniciais
Segundo relatos ouvidos, um tipo aparentemente comum, conhecido como Garry Jones tem aptidões que praticamente transcendem o que se considera humano. Suas aparições, entretanto, são raras e sempre diferentes. Após longos anos de busca, finalmente conseguiu-se localizar o indivíduo, objeto deste estudo, em Nova York. Ele se auto-denomina um "ever-changing" (doravante denominado Evchan), e por isso é sua característica mudar (exterior e interiormente) com frequência e dramaticidade. No momento da sua localização, ele estava num processo que ocorre à cada 10 anos. Neste, ele se encontra com um semelhante, que ele denomina um "never-changing" (doravante denominado Nevchan). Segundo ele, os dois coexistem complementarmente, e o último tem como característica sua estabilidade, opondo-se ao primeiro.

3-)Material
De maneira à apresentar o material bruto, segue-se um extrato aproximado desse diálogo entre o Evchan e o Nevchan:

Evchan: Faz tempo...
Nevchan: É verdade, você mudou...
E: Você sempre diz isso!
N: É a minha natureza...
E: Sim, eu sempre mudo, mas você sabe que existe algo na minha essência que também nunca muda.
N: Sim, é verdade, nesses encontros isso fica mais evidente.
E: Durante esse tempo, em alguns dos 'estágios' na qual eu refletia sobre as coisas (não eram todos), pensei muito sobre quem somos, nossa origem, nossa natureza.
N: Você não fazia isso.
E: É, claro, essa é uma vantagem, eu sempre mudo. Sempre conheço pessoas novas e...
N: As ama pelo tempo que durar sua fase, apenas...
E: Você sempre acha que sabe como me sinto... Em parte isso é verdade, mas EU conheço o mundo...
N: E não consegue conhecer à si mesmo.
E: Pois é aí, meu amigo imutável, que você se engana. É impossível que eu seja todo relativo, pois se fosse, como explicar a própria imutabilidade da minha natureza de Evchan? Acontece que tenho descoberto que esse não é o único absoluto em minha vida.
N: E quais são os outros?
E: Por quê você sempre ouve o que digo e se importa comigo?
N: Porque se deixasse de amá-lo, estaria contrariando minha própria natureza. As pessoas o amam somente enquanto dura uma fase sua, e depois deixam de amá-lo, pois não conhecem aquilo em você que nunca muda. Eu conheço, e por isso o amo, e isso condiz com minha natureza.
E: Pois meu amor parte exatamente dessa parte sólida dentro de mim, porque seu amor constante e sua estabilidade me tornam seguro, e minha viagens e fases apenas confirmam a profundidade do seu amor pela minha essência imutável, e me fazem respondê-lo
N: É, você não costumava falar isso.
E: Não estrague o momento com essas suas piadinhas de sempre.
N: Desculpe, é inevitável, mas me conte o que de novo trás do mundo.
E: Bom, você sabe, eu sempre me envolvo com humanos por curtos períodos de tempo. Como você disse, ele me amam apenas por uma fase. Já você constrói longas amizades na sua velha casa de sempre.
N: Sim, bons amigos...
E: Mas encontrei alguém diferente. Alguém que ultrapassou fases diferentes.
N: Interessante, e você parece ter encontrado algum sentimento igualmente transcendente.
E: Sim, exatamente. Estou concluindo que ela é alguém como nós...
N: Quer dizer que existem mais pares como nós? Bom, é claro, isso não muda minha situação...
E: Como sempre...
Talvez seja uma Evchan, e por ter a mesma essência imutável dentro de si que me ama e a qual eu amo.
...
Espere, você disse que isso não muda sua situação, mas se isso me afeta, naturalmente...
N: ... irá me afetar também.
Sim, mas continuarei um Nevchan e você um Evchan.
E: Claro, não tinha percebido, mas aquilo que não muda em mim é parte de você e...
N: ... o que muda em mim é parte de você em mim. Sim, existimos para nos complementarmos, nos amarmos...
E: ... e a consequência é que somos um parte do outro, e a existência se confunde...
N: ... porque na verdade somos um...
E: Cada conversa nossa...
N: ... é diferente e singular.
E: Eu sempre gosto delas.
N: Boa sorte com sua nova 'descoberta'
E: Te vejo em outros 10 anos.

4-)Conclusão:
A este ponto, o estudo se tornou desnecessário em face da futilidade da vida humana ridiculamente esquecida de si mesma, e será prosseguido quando o conhecimento atingir níveis desinteressantes da alma incomensurável.

Estratagemas... Coragem... Amor

Meu encontro com a poesia, com srta. Poulain, com Sr. El Rabi... é apenas começo...
Do encontro com toda poesia, com a Terra Livre, com El Elohim e seu sorriso...
Pois tudo isso é uma coisa apenas...

Chove, por favor...

Quero mesmo é que me vejam louco. Daí não vão ligar de eu ficar conversando contigo e comigo mesmo... Vamos correr, jogar, brincar... Desenhar, escrever poesia, mil livros... Sorrir de ver as coisas mais bobas... Elas não são bobas, os homens arrogantes e chatos é que dizem essas coisas, porque vivem frustrados por não se satisfazerem nem com os maiores tesouros...

Não estava doente, só estava com saudade...

Espera a dança...

Me lembro de épicos, com suas cenas de batalha, quando o herói chega num nível crítico de exaustão e desânimo, ferido, angustiado. Classicamente, algo surge que lhe coloca um brilho nos olhos, um fogo. De repente, ele ganha uma nova energia, o que é decisivo ao combate. Por diversas razões, me sinto exatamente nesse ponto. Digo que, durante esse fim-de-semana, vivi o hiato do fim-de-batalha, vislumbrando a derrota iminente, e agora, após trazer à memória o que me norteia, o que me faz sentir-me vivo, ganho um novo ânimo. A força me retorna aos membros. A visão desembaça, a mente fica limpa. Não há mais dor ou angústia. O momento de lamentar os mortos passou, e o momento de construir ainda não veio. Ao hoje, só resta a batalha, e da luta não me retiro.

Conversamos hoje de manhã
Bebemos café, água, chá
Comemos pão, torta, palavra
Vivemos vida, família
Resolvemos, Revolvemos
Dissecamos o coração
Curou
Sarou

Conversamos hoje de tarde
Falamos de si, de ti, do outro
Fizemos perguntas
Demos respostas
Tiramos dúvida
Trouxemos à luz
Trouxe a luz
O tempo não é mais aterrorizante
O tempo já não é mais...
É menos
Espero que esperemos
A esperança alimenta a alma
A paciência rega o amor
E sigamos na luta
A batalha do Sol que raiou à pouco
E se recusa à deixar de morrer
E se recusa à deixar de nascer!

Só a loucura nos libertará

Não não, gente... Não é uma frase de Nietzche, nem a citação de outro filósofo doido. Não é nada vindo de um sábio do monte também.

Estava nesse fim-de-semana em Riberão Preto, onde aconteceu o Conselho Regional da ABU - Região SP/MS. Um encontro meramente administrativo, alguns podem dizer. Eu diria, construtivo. É nosso canteiro de obras, e pessoas se cansam e têm preguiça de ir ao canteiro de obras colocar seu tijolinho. Mas não é bem disso que quero falar.

Como sempre, o CR foi "metade de mim, agora é poesia, o verbo e a saudade, do outro a luta, força e coragem pra chegar no fim". Nosso movimento, acima de tudo, é uma família. Somos muito longe de ser perfeitos. Não sabemos nada, não fazemos nada direito. Mas estamos dispostos a continuar. O remanescente fazendo missão. Um novo ânimo. Ao voltar para casa, me senti como na volta do Missão 2006, à mais de um ano atrás. Olhava para as nuvens, no silêncio da viagem. Ouvia as tranquilas canções de Dago Schelin, a ecoar:

"Ó, meu Jesus, quero tanto
Ser um canto a ressoar
Sua voz, suas palavras,
Os seus passos quero pisar"

O chamado, a comissão... A lição nós já sabemos decor. A obra nasceu no coração Dele, e é dele. Nosso chamado a participar dessa obra é, na verdade, uma revolução, uma subversão. É um convite à loucura!

Que ele nos lembre disso, e nos capacite a continuar fazendo sua obra, cumprindo nosso papel e levando amor ao mundo universitário.

À propósito, a frase do título eu vi durante a viagem, num parachoque de caminhão... A sabedoria andando nas trilhas de um simples camioneiro... Parece com isso aqui?

"Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes;" 1 Coríntios 1:27

... Afinal, o quão sábios somos?

Grande abraço a todos!!!

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