Dissertação

Espelhos

Ontem ouvi de uma moça que falava sobre tentativas de fazer dieta. Ela determinava o tipo de alimento que comeria, mas acabava comendo escondida de si mesma.

A gente se esconde de si?

Vampiros, diz a lenda, detestam espelhos. Talvez porque os espelhos os lembrem de que estão mortos, que não são mais humanos, que não deveriam existir.

Me pergunto se não nos escondemos de nós mesmos, evitando espelhos, evitando conversas e relacionamentos que nos revelem nosso interior.

Linhas anarquistas nas Escrituras: um compêndio sobre anarquismo cristão, parte 3 (de 5)

Artigo de autoria de Mark Van Steenwyk[Inglês]

Para a maioria dos cristãos, existe um grande motivo para rejeitar o anarquismo: ele não é bíblico. Ou é? Uma leitura superficial da Bíblia revela um Deus que se auto-define como uma espécie de Rei-guerreiro, sanciona genocído promovido pelo estado e promove uma dinastia de reis santos, como o Rei Davi. Quando Jesus chega, vem para começar um Reino de Deus que, aparentemente, se contenta em co-existir com um reinado terreno. Na verdade, o próprio Jesus diz: "dai a César o que é de César", e Paulo exorta os cristãos a serem bons súditos às autoridades governantes. Portanto, Anarquismo cristão é uma contradição em termos, certo?

Vestígios anarquistas na História da Igreja: um compêndio sobre anarquismo cristão, parte 2 (de 5)

Artigo de autoria de Mark Van Steenwyk

No artigo anterior, tentei oferecer algumas definições introdutórias de "anarquismo" e de "cristianismo" - ambos demasiado complexos para serem definidos. Este, portanto, traz alguns desafios ao se apresentar uma descrição simples de "anarquismo cristão".

Na parte 2, vou brevemente traçar aqueles movimentos cristãos históricos que expressaram um "impulso anárquico". O que se segue não é de forma alguma exaustivo. Meu objetivo é compartilhar à respeito deles para mostrar que Graeber está certo: "os princípios básicos do anarquismo - auto-organização, associação voluntária, auxílio mútuo - se referiam a formas de comportamento humano que eles acreditaram existir por tanto tempo quanto a própria humanidade."[1] A História Cristã tem uma série de exemplos que demonstram o impulso anárquico e isso se torna interessante para observar as características comuns entre estes grupos. Note que, para a maioria deles, as tendências anárquicas de cada grupo estavam entrelaçadas com suas próprias convicções teológicas. É importante perceber que há algo profundamente incompleto quando imaginamos um anarquismo cristão que simplemente "gruda com chiclete" o cristianismo e o anarquismo de alguém. Não é somente possível, mas (acredito) necessário ter um anarquismo que flui a partir da espiritualidade pessoal (ou, talvez, vice-versa).

Hortências e Perroxil

Escrevi essa reflexão pessoal em 17/01

Na terça passada, meu avô veio a falecer. Ele já estava mal, eu estava longe, a noticia não me surpreendeu. Fiquei até pensando na minha insensibilidade perante o acontecimento, principalmente por boa parte da família estar lá.

Eu não convivi com meu avô, só o via uma vez a cada 2 anos, mais ou menos. Os encontros breves, sem grande profundidade. Talvez por meu avô ser mais reservado, embora sempre carinhoso e bonachão. Lembro de ir em sua casa poucas vezes, mas sempre gostei de ir lá. As memórias aos poucos se desmancham, se enfraquecem.

Hoje, descobri que hortências mudam de cor conforme a acidez do solo. Hortência que ganhei do meu outro avô. Me faz pensar a natureza das relações e como depende de nós cultivá-las. Podemos sempre dizer que depende do outro também, mas isso não nos isenta de nosso lado. Ao acordar de manhã, penso nas pessoas ao meu redor, em manter viva a memória. Leio uma história de meu tio, uma memória dele com meu avô, preservada por 50 anos, eternizada. Uma simples memória de uma aventura, transformada numa relevante metáfora sobre o falecimento do meu avô, cheia de significado. Aí sim, senti pelas palavras tão curtas e simples, sem rodeios, a relação de afeto que nos une. Mais do que unir um pai com um filho, une toda uma família, une todos nós, talvez. Chorei. Li de novo. Chorei de novo.

Enquanto vivemos nos cabe eternizar memórias e momentos. Um dia possivelmente estaremos todos juntos relembrando, revivendo, transformando simples experiências em tesouros. Fica em mim um sentimento, de que meu avô esteja em paz, terminado seu sofrimento, sua travessia. E fica a vontade de cuidar das hortências, para que, assim como memórias de experiências de convívio, floresçam no futuro.

Uma divina impossibilidade: um compêndio sobre anarquismo cristão, parte 1 (de 5)

Artigo de autoria de Mark Van Steenwyk, traduzido por mim.

De forma geral, a Jesus Radicals tem como objetivo explorar a intersecção entre o cristianismo e anarquismo. A maioria das pessoas acha que tal combinação é impossível (ou é uma ilusão). Também seria um engano pensar essa combinação como uma mera novidade. A maioria das reações negativas a esse diálogo é fruto de mal-entendido. A maioria das pessoas pressupõe que anarquismo é algo para jovens enraivecidos que desejam o caos e a desordem. Outras pessoas pressupõem que o cristianismo é (e sempre foi) dominação. Ambos são infelizes estereótipos que, apesar de encontrarem alguma base na realidade, são rejeições demasiado simplificadas e grosseiras (apesar de que, justiça seja feita, é mais fácil encontrar evidência da opressividade do cristianismo do que da imaturidade desordeira do anarquismo).

De volta à Ciudad

Tenho tido estado ausente um pouco da escrita, principalmente neste espaço. São tantos novos pensamentos, idéias que me desafiam à deixar tudo para trás, à colocar pontos finais, à apagar tudo e recomeçar. São tantas descontruções seguidas de lentas, mas firmes e singelas resconstruções. Temo que o processo nunca termine, portanto não vou esperar que termine para traduzir um pouco dele em palavras.

A Ciudad de cara nova

Estamos atrasados. Foi uma correria, e a ciudad ainda não está na verdade de cara nova. Não como pretendo que ela esteja. Mas por enquanto a mudança de lugar e os novos ares prometem um retorno às atividades normais. Aguardem os novos posts!

Abraços à todos!

Os muros e nós.

Postagem de número 100, uma marca histórica!

Quando eu tinha 2 anos, derrubaram o muro de Berlim. Todo mundo sabe o quanto isso foi (e ainda é) significativo para a história da humanidade. Não foi a vitória do neo-liberalismo ou a queda de um regime autoritário. Pode até ter sido tudo isso, segundo economistas, cientistas políticos, sociólogos, etc... Mas foi outra coisa. Foi a queda de um muro. Ele separava pessoas. Famílias, amigos, inimigos, rivais, colegas de trabalho, de bar... Essa queda foi um símbolo, um estandarte. "É hora de a humanidade quebrar seus muros!" E era (ou é) verdade. Depois desse evento, ou antes até (não sou bom em história), vive-se até então um processo de quebrar muros.

Hein?

Existe uma teoria, bastante aceita e apoiada no meio acadêmico, de que eu arrumo alguma coisa para postar e não deixar nenhum mês em branco. Essa mesma teoria discorre à respeito do conteúdo muitas vezes ser "arranjado" e um tanto fraco.

Multiplicações Modernas

 

Se um dia desenvolvêssemos a tecnologia da multiplicação de objetos, e ela se tornasse largamente disponível a baixos custos, empresas que dependessem da dificuldade de produzir objetos e substâncias replicáveis teriam de rever suas estratégias. Algumas poderiam se adaptar e encontrar outras formas justas de ganhar dinheiro; outras pressionariam para preservar seus modelos de negócios obsoletos.

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