Prosa

Abismos - Capítulo 1

Publiquei faz um tempo o primeiro capítulo dos quadrinhos que venho trabalhando. Boa parte de 2015 foi dedicada a esse capítulo, espero lançar mais em breve em 2016.

Abismos - Um conto visual

 

Flores

Texto de 18 de janeiro de 2012

Estou cultivando minhas próprias flores. Cuido da terra, visito-as diariamente, observo seu crescimento, se o solo está úmido. Olha, uma folha nova! Puxa, as formigas não as deixam em paz. Como crescem as ervas daninhas ao redor.

Estou aprendendo mais a amar. O poder de argumentar não serve para criar flores. Aliás, nada substitui o cuidado diário. Poderia pagar alguém para fazê-lo, mas daí não seriam minhas flores. Onde estaria minha relação com elas? Deixar para depois, também não é possível. Reclamar com elas que não cuidam de mim? Não tem sentido.

Sigo aprendendo, me humilhando, pois embora cuide delas, nem a terra que as firma, nem a água que as sacia, nem o Sol que as alimenta, nem a vida dentro delas, são meus. Assim sou, um mordomo cujo serviço a ser prestado é o amor.

Palavras

Ainda estou mais de um ano atrasado nas publicações. Escrito em 25/11/11

O novelo se desfaz - emaranhado ou não, seu estado anterior já não é importante - e o cordão de uma vida se afina. Estreito, mas sem a agilidade de uma corrente de água que sabe, sem saber, que vira rio na colina adiante. É mais uma chama num pavio defeituoso. A luz do quarto diminui e uma história cinza trêmula se desenha na parede. Os mundos nela presentes são todos meus. São - na sua essência criada - eu. Não o eu que sou de fato (e qual seria este?), mas os muitos eus que quero ser. Ou os que finjo ser.

Outrora o que se passava nessas histórias eram feitos grandiosos, inocência inofensiva. Hoje são o passado mais profundo, agora memória. Agarro a memória dessas águas geladas e penetrantes, ao andar num mero espelho úmido, morno e insípido. Escrevo em mais uma tentativa de tirar um peso que sufoca. Meço as palavras, entretanto, temendo que elas me entreguem. Ah, sorrateiras e verdadeira são as palavras. Na calada da noite sobem ao farol e anunciam a nudez do mar. Saltam como pássaros flamejantes, ora abutres cheirando carniça, ora pavões orgulhosos, ora graciosas andorinhas, ora temíveis mergulhões, penetrando o mar que não pode se esquivar.

As palavras querem sair e ser vivas. Guardá-las é um erro até serem soltas. Elas se empoleiram no pescoço, ficam pesadas, fazem cair as pálpebras. As palavras fazem greve, querem ser ouvidas. Mas eu tenho medo delas. Por palavras foi feito o Universo, e por palavras o destino se fecha. O que está oculto aparece, o que está morto vive. O que está em mim e não quero ver, já não posso mais esconder.

E como pode que, ao lançar essas letras, eu me vejo, e vejo o que não via? Será um mistério universal? O porquê de, talvez, serem atribuídos a certas palavras atém mesmo encantamentos sobrenaturais. São chaves de mecanismos que estão em nosso espírito.

Mas essa vida, que já me cansa - não toda ela, mas a do agora - me chama a seguir um novo rumo. Devo abandonar sandálias gastas? Tenho a sensação que já vivi mais que isso, que já bebi mais água da fonte e que agora só molho a boca. O riacho virou filete, a colheita não é mais a mesma. Se andava trinta quilômetros, hoje ando dez e já cansei. as não é a caminhada, ou o Sol mais quente, ou a comida mais escassa. Então pergunto: o que é? Minha solidão?

Palavras que, ao voltarem sem encontrar destino, como cartas retornando ao remetente, perdem sua razão de ser. Como caminhar sem ter um destino. A força para ser se esvai com preguiça e desânimo a ver que ser ou não ser não é tanto a questão.

Espelhos

Ontem ouvi de uma moça que falava sobre tentativas de fazer dieta. Ela determinava o tipo de alimento que comeria, mas acabava comendo escondida de si mesma.

A gente se esconde de si?

Vampiros, diz a lenda, detestam espelhos. Talvez porque os espelhos os lembrem de que estão mortos, que não são mais humanos, que não deveriam existir.

Me pergunto se não nos escondemos de nós mesmos, evitando espelhos, evitando conversas e relacionamentos que nos revelem nosso interior.

Linhas anarquistas nas Escrituras: um compêndio sobre anarquismo cristão, parte 3 (de 5)

Artigo de autoria de Mark Van Steenwyk[Inglês]

Para a maioria dos cristãos, existe um grande motivo para rejeitar o anarquismo: ele não é bíblico. Ou é? Uma leitura superficial da Bíblia revela um Deus que se auto-define como uma espécie de Rei-guerreiro, sanciona genocído promovido pelo estado e promove uma dinastia de reis santos, como o Rei Davi. Quando Jesus chega, vem para começar um Reino de Deus que, aparentemente, se contenta em co-existir com um reinado terreno. Na verdade, o próprio Jesus diz: "dai a César o que é de César", e Paulo exorta os cristãos a serem bons súditos às autoridades governantes. Portanto, Anarquismo cristão é uma contradição em termos, certo?

Republique – Lista de funcionários do Senado que estão processando o Congresso em Foco

Abaixo segue a lista dos 43 servidores do Senado que ganharam acima do teto em Agosto de 2009 – e que, por orientação do Sindilegis, estão processando o Congresso em Foco por publicizar esses dados, em 43 ações públicas idênticas, somando um pedido de mais de R$1 milhão em indenizações.

Se você também acredita que a transparência das questões públicas é importante, mostre isso pro Judiciário (que vai julgar as ações em 2012). Apoie a decisão do Congresso em Foco, e republique a lista no seu site.

de casa nova

Depois de muita correria e apreensão, estou de casa nova, nova fase de vida. Muita coisa mudou de sopetão, formatura, emprego novo... Assim a gente inevitavelmente acaba sendo levado pela enxurrada. Melhor esperar ela passar do que gastar todas as energias em vão lutando contra. Quase tudo está definido agora, não resta mais muito trabalho. Pretendo portanto retomar minha atividade escrita, à que se propõe esse espaço - que já fez 4 anos!, assim aos poucos mesmo.

Pensamentos ruminados.

Escrito em 13/04:

Talvez eu tenha me tornado muito consciente. Talvez nem tanto. Não acho que ignorância é tanto uma bênção, mas que ajuda a viver mais tranquilo, isso com certeza é. Será que viver no mundo de hoje é saber ser forte pra fingir que não estamos de cabeça pra baixo, que é só nosso cabelo que anda meio rebelde, em pé? Não devo ser o único que acorda todo dia me perguntando: "Não é possível que eu tenho que acordar e mais uma vez me submeter a essa lógica sem sentido."? O pior não é isso, o pior é não ter perspectiva de reagir. Eu até penso em plano mirabolantes, idéias fantásticas. Mas estou cético de mim, nem eu dou crédito pra mim mesmo, me chamo de escapista e volto à mediocridade. É forte demais admitir isso, não é? Mas é mais forte aquilo que me segura até mesmo de publicar isso aqui, porque me comprometo demais. É mais forte aquilo que me impede de tomar uma atitude, uma mudança de rumo perante um confronto com verdades importantes.

Experimento

A síntese é.

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