Poesia

Só um dia Nublado

Deixe-me desacelerar dessa correria louca sem fim
Deixe-me parar um pouco
Pare com isso
Deixe
me
só...

Só eu e você
em vista paralela
sobre a janela do mundo todo
Só há o nome
que quer verbo virar
pelas janelas da alma

Tenho só uma confissão
só estou para então
dizer que não ouvi o que devia
e nada se estabeleceu
pois nada quis ouvir
Se vácuo ou você
Ainda restar força pra escolher
ainda que pedras afiadas
a face me desfigurem
Só sei que nada sou
e nada restou.

E a música aconchegante

Deserto

Do pardo e árido cinza
arenoso e granular bege
que no horizonte embate-se
com o profundo e super-sereno
azul-infinito perdido
se cansaram meus olhos

Mas ainda há
o que ver, o que ouvir
o que dizer em meio à dor
o consolo, talvez amor

E eis que escuto suaves melodias
envoltas em saudosas harmonias
tristes brincalhonas no sótão
a remexer ferramentas enferrujadas
brinquedos esquecidos da verdade

Ah não, não é simples assim
(ou será que sim?)
Não tem sinal de fumaça
de batalha pra lutar
A vontade é de sair correndo

No Caminho do Mar Morto

Se enxergo já não sei
Se vejo é só o que tem
E nada de se seguir
Quem vem mais além
Nessa estrada morta de Davi
Com cegos pelos cantos
Só a gritar
Só a gritar...

Só se pode entrar aqui
meu caro amigo
se me derrubar meu templo
Se você manda por aqui
respeitado senhor
pergunta o que não quero

e me destrói, me corrói, não sou nada...

Sião das leis chegou ao fim...
Em você me encontro enfim.

--

O sorriso aliviado da despretensão

A gente nunca pensa o que tem para se pensar
e só de pensar em tudo o que se tem pra pensar
a gente vai e senta pra escolher o que dispensar

Olhe e não entenda,
sorria e chore,
sempre dependa
Sem poder,
preso à senda
Ainda livre pra viver

Ainda bem que só quando se pensa
é que se sabe não ter pensado
e no fim a ceia de hoje vai ser a mesma
todos somos cúmplices
antes e depois da quaresma
Só um bando de mendigos de sorte
por ter mais que entendido a morte

Coletânea do Curso de Férias 2008

Na semana passada, acontecia o Curso de Férias 2008, da região SP/MS da ABUB... Tempos de crises e descrises, muita reflexão, reviravolta interna. Muito bom, como sempre, ou como nunca, já que são sempre ímpares e incomparáveis esses momentos.

Lá pelo final, hora de publicar (no sentido literal da palavra) o que havia produzido durante o CF. Na quinta-feira, serenata romântica dos meninos, e no meio:

"De todos os vapores e vaidades
essa noite de estrelas escondidas
é o que eu mais queria
que fosse uma eternidade

E nesse encontro de corações

a moça de azul e sorriso e sandálias que vai além da praia

A música que sai é e não é
entra e sai pondo livros de volta na estante e na mesa.
A existência volátil da nota vazia se mistura ainda
como sangue em leite, desfazendo-se perante o futuro.
O passado, velho triste que caminha em círculos
fecha os pesados olhos claustrofóbico.
Ela se faz sensível como veludo ao toque de verdade
dança flutuando sobre tábuas enfraquecidas
seu perfume irresistível de profundo silêncio embriaga o estupefato
&nbsp &nbsp &nbsp presente.
Toda a sala, repleta de corredores, demole-se num campo verde

Fim de Tarde

Amarelo dezessete horas perfura a retina por detrás da franja
Faz-se um mundo Midas de muitas profundidades,
névoas amarelo-claras no terceiro quarteirão, agora laranja
Têm-se café com bolachas e muitas receptividades

O abutre do desejo sucumbe no hoje dourado
lentamente carnificado, tão pouco lisonjeado
As batalhas que se travam ao longe
silenciosas ao som da varanda e de sua conversa
póstumas às pequenas crianças ávidas e ex-repreendidas
Pintado de vermelho o céu do diálogo já de poucas palavras
Toda fé que se preze em seu sangue passa pelo pequeno

Ode à Santa Destruição

Às gentis espumas sou grato
do remanescente da onda
que correndo leve e solta
destruiu meu castelo de areia

Tanto trabalhei no meu castelo...
nele não me preocuparia com nada
nele estaria à salvo, sem medo
Eram sólidas paredes a me isolar
ruíram com a suave onda

No castelo de areia, me sentiria bem
estaria satisfeito e feliz
mas o castelo não existe mais

Seria rei, influenciando muitos homens
e meu castelo seria meu poder
mas poder nenhum restou

Porque a onda insiste
em derrubar meu castelo de areia

Viva la Verdad

Sonho meio-acordado de menino
os olhos de azul-de-céu deslumbrados
Garanto que não
não posso garantir
a rota dessa flâmula ensangüentada
é filha do leme distante do meu punho
só me dizem para manobrar as velas
quando o sopro não atinge sequer meus cílios

Só o peso do menino
o frágil mastro da vida agüenta
lá sopra o vento do horizonte
sabe do fim da viagem
mas todo o mar está em sua íris
e o passado lhe marca os cabelos
sim, agora esvoaçantes
rebatendo as cordas soltas
e o Sol nasce, como se explodisse

We Always Say

I hold my breath
I seek the ground
For all the tears that come
I guess they miss you, yeah they do

We're all together
In a shadow of heaven
Just eyes and smiles
Only meant to be unforgettable

Oh, it always have to end
Yeah, we always say goodbye
But it never really ends
And we always say...

And we always say
And we always feel
And we always miss you forever

And we always wave
And we always remember
And we always say we love you

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