Poesia

Segunda-feira...

Amanhã a gente vai ser melhor
vai ter mais amor, vai ser menos egoísta

Amanhã vou ser mais humano
menos mesquinho, menos escravo de desejos

Serei mais sensível amanhã,
mais compreensivo
menos estúpido
menos ridículo
mais sábio
menos eu
mais como o Mestre

O amanhã não chega sem se tornar hoje
e a graça basta para o hoje.
O amanhã não chega nunca
mas o hoje está sempre aqui.

O vírus da humanidade

Em tudo estrutura
faz-se de aço e silício
com tal estatura
é a humanidade um vício

Simples

Penso a cada dia, cada novo passo
que o ontem não se repete
nunca será tão bom ou tão ruim
só no fim serão tudo

Sou eu com você, assim um reflexo
do paradoxo que é viver
Toda verdade é um humano paradoxo
todo caminho tem duas margens

São tantas repostas faltando
ando por vezes inseguro
mas por outras ainda lúcido
seguro na barra da túnica

É você e eu, assim um poema
o amor nos cativa
e dele somos livres servos
à procura daquilo que nos falta

---
só pra retomar, vou pegando uns textos antigos e postando aqui. Nem lembro quando escrevi esse.

Ops...

Queria ser gente grande...
Todo mundo no fundo quer.
Queria poder responder
mas eu só posso mesmo é perguntar.
Queria ter muita coisa
nem vejo que já tenho tudo.
Queria ser gente grande...
grande como não existe.
Queria na verdade não querer
e ser feliz sendo pequeno.

Na viagem se pensa essas coisas...

Eu faço poesia
porque não quero ser eu
Não é que quero ser outro
só não quero ser quem sou

Fazer poesia pra mim
é quebrar-me a mim mesmo
é evaporar-me
volatilizar minha essência
e fazer dela uma com o todo

Vejo então, na poesia
que lá estou inteiro
lá está Deus, e seu filho
lá estão todos!
e não se reconhece bem de mal

Na poesia, se vê essência
mais que isso, existência
se encontra o caroço da pureza
a pura verdade sem começo
nem fim, nem antônimo

Só sei que é lá que quero estar
e quero você comigo.

Rascunho nº 1

São muitas as odisséias que me trazem
ao encontro desse pequeno lápis
e seu cansado diário de bordo.
É aquela voz de dentro, voz de fora
que vem de outrora iluminar o agora
será a vida que tanto muda seu sabor?
a voz dos céus etéreos, sólida e pesada?
a inconstância da humanidade ao meu redor?
ou a certeza deste mundo se desmoronar ainda hoje...
Sei só que preciso deixar voar esse pardal
há muito que vivi e não se tornou poesia
Mentira crassa, melhor poesia não há
do que a que nunca chega aos versos.
Mas quem poderá lê-la?

Oração nº 124 - Tomo MMIX

Senhor, livrai-me de mim
eu que decido e não sigo
Mau com cara de bom
vivo a tentar não errar
Eu que quero mas ignoro
faço o que me agrada
No fim, é o que na garganta entala
Só me resta, de testa no chão
confissão, esperança.
Sei que quem me dá essa vida
vai me ensinar a vivê-la
Ela, que me sustenta
o último estado de consciência
único caminho, graça.

.

Sou um ponto
perdido em espaço infinito
ou tenho algo como uma reta
um milhão de pontos adiante

Ainda um ponto assim
tanto quanto são
também sou interrogação
Tanto que sei
sei ser reta a reta
e seu pontos marcados, finais
final Certo
e finalmente
também não sei

Porque se interrogo
(e não sei porque questionar)
se desfaz num instante
desce pelo ralo
desintegrado
milhares de pontos, cacos
vasos quebrados
Eu não sei onde estou
mas sei que estou
O tanto que interrogo sem resposta
e pranto que rogo sem um sinal

Entre Ratos e Traças...

Algumas vezes o menino resolvia visitar a biblioteca da Ciudad. Não eram motivos excusos como tédio ou ócio que o levavam lá, mas também nenhum motivo muito especial ou urgente, nenhuma necessidade específica. Era apenas o dia de ir lá, o céu dizia isso. E caminhava só, sliencioso, por entre as muitas estantes, como se estivesse à comer as introduções sem lê-las, só pra poder escolher algo interessante para se ler.

Hein?

Existe uma teoria, bastante aceita e apoiada no meio acadêmico, de que eu arrumo alguma coisa para postar e não deixar nenhum mês em branco. Essa mesma teoria discorre à respeito do conteúdo muitas vezes ser "arranjado" e um tanto fraco.

Divulgar conteúdo