Poesia

All summer we just hurried

Meu amor me pediu um poema
Minha flor queria um copo de água
No calor de cozinhar uma gema
Na dor me caiu essa chuvarada

A gente se deixa levar na corredeira
E quando seca o leito está sem companhia
Não quero viver dessa maneira
Correndo atrás do vento até o fim do dia

É com você que o dia se ilumina
Na chuva ou na seca, verão e inverno
A vida é algo que se compartilha
E em você encontro o amor mais terno.

Poema pequeno

às vezes a gente se esbarra
querendo mais da vida
se sente sufocado
a vida não vale a pena
se cabe em nós um mundo inteiro
por que a gente se apequena?

Votos

Eu prometo escrever cartas de amor
e prometo que elas continuarão ridículas
senão não seriam cartas de amor

Prometo que o coração querendo casar
continuará nessa tarefa sempre, sem dar ela por concluída
porque embora hoje seja um "até que enfim",
é também, e muito mais, um "de agora em diante".

E de agora em diante somos uma só história

Prometo aproveitar um dia de sol com você,
mas também abrir o guarda-chuva
quando do céu vierem as tristezas.

Prometo lembrar que você me ama e que quer o meu bem,
mesmo quando não faço por merecer
E também prometo me esforçar para lembrar
do que eu costumo esquecer

Não prometo só alegrias
Não prometo condições climáticas
Não prometo que tudo vai dar certo
Mas prometo dividir nas tristezas e lutas
Prometo dançar na chuva
e prometo que, no fim, vai dar tudo certo.

Prometo cultivar, junto com você, a alegria
que não se faz de alegrias exteriores.
Alegria essa que é lavada de lágrimas e sangue.
Mas o sangue já foi vertido, e as lágrimas,
ainda que estejam conosco por mais um tempo,
serão enxugadas no final

A pergunta do Natal

Uma luz brilhou
desceu à Terra
rachou-a
partiu tudo ao meio

Ódio, temor
meu poder desafiado
meu desejo negado
Meu deus é meu?

Amor, humilde...
Reino de serviço e sofrimento
pecado, arrependimento, perdão
reconciliação

O sentido disso tudo?
Um confronto, uma decisão
seguir a estrela ou matá-la
dentro de si
Amar a manjedoura
ou pregar os pregos.

Não há festa sem caminho
senão a ceia se torna descaminho
Um coral, com belas palavras
esconde por pouco tempo
um coração duro

O sentido do Natal?
Um fato
e uma pergunta
que exige resposta

--
Escrito no próximo ao natal de 2011

Sexta-feira

sexta-feira, em chuva rala termina
meu amor, onde estará?
ela anda corrida pela vida
cansada, no fim do dia
deita o rosto no meu ombro
sussurra sua tristeza
sem saber da sua beleza
abraça forte pela noite

saiba que ainda nasce o dia
e é bom vê-lo chegar com você

---
Campinas, 9 de novembro de 2012

America

A block
monumental ice
by all preserved
smiling
may break indeed
smashed with friendliness
when private interests
emerge at will
yet you never know
just how cold
is outside

---
San Jose, California, EUA - 9 de maio de 2013

Vento da saudade

Se penso em quem fui
sinto saudade de mim
o eu que já se foi
e me marcou, pois era eu por dentro

Mas ao se ir deixou-me?
Sua presença é a ausência?
Eu vivo este outro eu
do qual terei saudade
mas que tristeza seria
se não me lembrasse,
pois se tornaram vento.
Sim, imateriais e intangíveis
mas também livres

Em seu silêncio me revelam
a eternidade e a esperança,
a minha pequenez no mar.

Sopram porém, sussurram
Ergo as velas e sinto,
pois não se pode compreender.

--
Campinas, 22 de junho de 2012

Conversa de outono

Lágrimas de um céu cinzento
Outono que se estende pela fronteira
intangível, suas folhas secas flutuam
repousam em nosso ser

São palavras murmuradas, sinceras
folhas que precisam cair e dar passagem
mas voam ainda, pela primeira e última vez
contam sua história, que ouço

Seu coração se abre como nunca antes
e dele flui a harmonia dissonante da vida.
Os pés gelados caminham, morro acima
celebram o vento frio e os temores
a bela condição humana

Incertezas vividas e revividas
tais quais se veem nessas folhas
Ao que se compara uma experiência?

Meus olhos enchem, já não sei
se pelo vento ou empatia, tanto faz
Quem pode separar o amor do abraço,
o espírito da carne?

Escrevemos a história, nosso tesouro,
nestas páginas que nos deram
não se pode escrever em outras
Imperfeitos, inconstantes, inseguros
seguimos nosso caminho, no amor e coragem

Utopia rima com poesia

Um sonho pode se realizar?
Ou será sempre névoa
perfeita nuvem em céu azul
inalcançável, intangível.

Um desejo às estrelas
não é tolice?
São bolas de fogo
distantes, indiferentes.

A luz da lua
tranquila, serena
não abranda o perigo
a noite segue aterrorizante

Também o Sol
energia necessária
não traz alimento à mesa
nem desfaz nossa tristeza

A música não embala
a palavra não conforta
o riso é forçado
a poesia está morta
a poesia está morta!

Gritam mil homens, cabeças pensantes
Jalecos
Gravatas

- A poesia está morta!

Aponta-me o dedo
pontiagudo
a ponto
de penetrar

Você já não vive
nunca viveu

Mas escrevo este verso
é poesia
sim
a poesia está viva
eu estou vivo

Rio do dedo ridículo
dos homens todos
encontro a palavra
e ela me encontra
Deus fala comigo
Ele existe!

A música de voz suave
harpa, violão, samba da vida
melodia harmoniosa atrevida
chama o cantar do galo
traga-me o Sol!
Ele brilha forte
É meu instinto amá-lo?
Leva embora o medo da noite
Fica a certeza do novo dia

E a Lua, que no aberto
espanta as sombras da noite
trazendo paz em meio ao medo
não devo nela acreditar?

Até mesmo a pequena luz
de muitas estrelas,
não são nossa lembrança
da luz que afugenta as sombras?
Por que não desejar dessa memória
a esperança do dia sem trevas
da alma iluminada?

A poesia me leva
flutuo além das nuvens
elas existem como os sonhos
são diferentes de perto
exigem coragem
mas são vida

Ninguém vai matar a poesia
a palavra é o próprio amanhã

Espera

Belas palavras
flores de primavera.
Pétalas derrubadas
na chuva pisadas.
Escuras
podres...

Seus restos mortais
sujam os tapetes
Assim se esvaem
pensamentos, idéias

Ficam as pedras,
inertes, imutáveis,
duras, ásperas.
Esperam as pedras
esperam...

A chuva corrói, o vento castiga
Anos à fio, pisadas
Sol, lua, escuridão, calor e frio
mas esperam as pedras.
Esperam.

As flores se vão
Pétalas voam em espetáculo
enchem os olhos que nem notam
o chão, sustentando...
mas esperam as pedras...
Esperam!

Espera a pedra no meu peito
ora pétala logo murcha
espera o Sol nascer
a vida amanhecer
e não ser mais pedra
até lá
espera...

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