Produção

Experimento

A síntese é.

Protesto

Contra tudo, contra todo mundo, contra mim mesmo
Não com palavras infames e maldições
antes buscando a doçura

Mas não deixo de protestar!
não deixe de protestar!

Protesto contra dominação,
contra a falsidade
a hipocrisia
Protesto contra um mundo de idéias.

Protesto contra toda gente
Não são bons, nenhum deles sequer
por isso protesto contra mim

Toda ordem deve ser questionada
toda paz deve ser incomodada
toda luta deve ser pensada
toda violência remediada
todo poder desmembrado
todo amor louvado.

Os ex-muros da Ciudad

As cidades são solitárias. Tirando talvez aquelas que estão conurbadas, isso se explica por uma questão física. Mas até estas, mesmo estando unidas com outras, vivem num "frenesi introspectivo, tão preocupadas com seus problemas, que se tornam solitárias. E normalmente suas irmãs estão dormindo o tempo todo.

A Ciudad não tem mais muros, eles caíram da noite pro dia, deixaram de existir, nunca existiram. Depois de breve período até a memória deles se esvaiu. Podemos ver o horizonte agora? Podemos enxergar longe, tirar fotografias do mundo inteiro? Sim! Mas lá fora só tem um deserto, uma terra árida. Onde está o mundo lá fora? É esse mesmo.

O poeta, memória viva das coisas importantes que ficam dentro da gente, se lembra bem dessa sensação, dos muros inexistentes, do olhar se perdendo no horizonte, trazendo solidão ao coração. Tomou seu instrumento, agora uma pequena flauta, doce e aguda, e passou a entoar uma suave melodia. Se você prestar atenção, pode ouvir as palavras que à acompanham.

O Pão nosso de cada dia...

O labor de quem tem grande sede consiste em, a cada dia, transformar o trigo da frustração no pão da esperança.

Frustração...

Assim me distraio, num mundo que é pura distração, e me deixo levar para o mar de inconsciência. Acordar para isso um dia é cruel, mas pior é não conseguir levantar-se...

Segunda-feira...

Amanhã a gente vai ser melhor
vai ter mais amor, vai ser menos egoísta

Amanhã vou ser mais humano
menos mesquinho, menos escravo de desejos

Serei mais sensível amanhã,
mais compreensivo
menos estúpido
menos ridículo
mais sábio
menos eu
mais como o Mestre

O amanhã não chega sem se tornar hoje
e a graça basta para o hoje.
O amanhã não chega nunca
mas o hoje está sempre aqui.

O vírus da humanidade

Em tudo estrutura
faz-se de aço e silício
com tal estatura
é a humanidade um vício

Simples

Penso a cada dia, cada novo passo
que o ontem não se repete
nunca será tão bom ou tão ruim
só no fim serão tudo

Sou eu com você, assim um reflexo
do paradoxo que é viver
Toda verdade é um humano paradoxo
todo caminho tem duas margens

São tantas repostas faltando
ando por vezes inseguro
mas por outras ainda lúcido
seguro na barra da túnica

É você e eu, assim um poema
o amor nos cativa
e dele somos livres servos
à procura daquilo que nos falta

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só pra retomar, vou pegando uns textos antigos e postando aqui. Nem lembro quando escrevi esse.

Os muros e nós.

Postagem de número 100, uma marca histórica!

Quando eu tinha 2 anos, derrubaram o muro de Berlim. Todo mundo sabe o quanto isso foi (e ainda é) significativo para a história da humanidade. Não foi a vitória do neo-liberalismo ou a queda de um regime autoritário. Pode até ter sido tudo isso, segundo economistas, cientistas políticos, sociólogos, etc... Mas foi outra coisa. Foi a queda de um muro. Ele separava pessoas. Famílias, amigos, inimigos, rivais, colegas de trabalho, de bar... Essa queda foi um símbolo, um estandarte. "É hora de a humanidade quebrar seus muros!" E era (ou é) verdade. Depois desse evento, ou antes até (não sou bom em história), vive-se até então um processo de quebrar muros.

Ops...

Queria ser gente grande...
Todo mundo no fundo quer.
Queria poder responder
mas eu só posso mesmo é perguntar.
Queria ter muita coisa
nem vejo que já tenho tudo.
Queria ser gente grande...
grande como não existe.
Queria na verdade não querer
e ser feliz sendo pequeno.

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