Liberdade é amar como se o mundo hoje terminasse sem que sua própria vida fosse importante

O sorriso aliviado da despretensão

A gente nunca pensa o que tem para se pensar
e só de pensar em tudo o que se tem pra pensar
a gente vai e senta pra escolher o que dispensar

Olhe e não entenda,
sorria e chore,
sempre dependa
Sem poder,
preso à senda
Ainda livre pra viver

Ainda bem que só quando se pensa
é que se sabe não ter pensado
e no fim a ceia de hoje vai ser a mesma
todos somos cúmplices
antes e depois da quaresma
Só um bando de mendigos de sorte
por ter mais que entendido a morte

Coletânea do Curso de Férias 2008

Na semana passada, acontecia o Curso de Férias 2008, da região SP/MS da ABUB... Tempos de crises e descrises, muita reflexão, reviravolta interna. Muito bom, como sempre, ou como nunca, já que são sempre ímpares e incomparáveis esses momentos.

Lá pelo final, hora de publicar (no sentido literal da palavra) o que havia produzido durante o CF. Na quinta-feira, serenata romântica dos meninos, e no meio:

"De todos os vapores e vaidades
essa noite de estrelas escondidas
é o que eu mais queria
que fosse uma eternidade

E nesse encontro de corações

a moça de azul e sorriso e sandálias que vai além da praia

A música que sai é e não é
entra e sai pondo livros de volta na estante e na mesa.
A existência volátil da nota vazia se mistura ainda
como sangue em leite, desfazendo-se perante o futuro.
O passado, velho triste que caminha em círculos
fecha os pesados olhos claustrofóbico.
Ela se faz sensível como veludo ao toque de verdade
dança flutuando sobre tábuas enfraquecidas
seu perfume irresistível de profundo silêncio embriaga o estupefato
&nbsp &nbsp &nbsp presente.
Toda a sala, repleta de corredores, demole-se num campo verde

Fim de Tarde

Amarelo dezessete horas perfura a retina por detrás da franja
Faz-se um mundo Midas de muitas profundidades,
névoas amarelo-claras no terceiro quarteirão, agora laranja
Têm-se café com bolachas e muitas receptividades

O abutre do desejo sucumbe no hoje dourado
lentamente carnificado, tão pouco lisonjeado
As batalhas que se travam ao longe
silenciosas ao som da varanda e de sua conversa
póstumas às pequenas crianças ávidas e ex-repreendidas
Pintado de vermelho o céu do diálogo já de poucas palavras
Toda fé que se preze em seu sangue passa pelo pequeno

Ode à Santa Destruição

Às gentis espumas sou grato
do remanescente da onda
que correndo leve e solta
destruiu meu castelo de areia

Tanto trabalhei no meu castelo...
nele não me preocuparia com nada
nele estaria à salvo, sem medo
Eram sólidas paredes a me isolar
ruíram com a suave onda

No castelo de areia, me sentiria bem
estaria satisfeito e feliz
mas o castelo não existe mais

Seria rei, influenciando muitos homens
e meu castelo seria meu poder
mas poder nenhum restou

Porque a onda insiste
em derrubar meu castelo de areia
Porque o Sol não desiste
de mostrar quem eu sou

Me resta sentar ao mar
e com a onda suave e firme conversar
O oceano tem verdades profundas
entrar nele é para loucos
corajosos mesmo, são poucos
pra virar água-viva transparente

Esclarecimento sobre cópias e direito autoral

Do texto integral da lei:

 

"Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.

§ 1º Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os represente:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

§ 2º Na mesma pena do § 1º incorre quem, com o intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou fonograma reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou do direito do produtor de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente.

§ 3º Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto ou indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor de fonograma, ou de quem os represente:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

§ 4º O disposto nos §§ 1º, 2º e 3º não se aplica quando se tratar de exceção ou limitação ao direito de autor ou os que lhe são conexos, em conformidade com o previsto na Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, nem a cópia de obra intelectual ou fonograma, em um só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto." (NR)

 

De Guilherme C. Carboni, advogado da ‘Tozzini, Freire, Teixeira e Silva Advogados’:


Além disso, a Lei 10.695/03 resolve definitivamente a polêmica questão acerca da cópia única para uso privado do copista, sem intuito de lucro, ao inserir o parágrafo 4º no artigo 184, que exclui tal prática, de forma expressa, da incidência das penas previstas nos parágrafos precedentes. Portanto, copiar obra integral, em um só exemplar, para uso exclusivamente privado, sem intuito de lucro, não é tipificado como crime.

 

Os gritos do inseguro

"Não é de se surpreender que as experiências espirituais estejam crescendo rapidamente por todos os lados e se tornando artigos comerciais altamente procurados. Multidões correm para lugares e pessoas que prometem intensas experiências de comunhão, emoções catárticas de alegria e doçura e sensações libertadoras de arrebatamento e êxtase. Em nossa desesperada necessidade de plenitude e incessante busca pela experiência da intimidade divina, somos todos propensos a construir nossos próprios eventos espirituais".

Henry Nowen

Ensaio sobre a Surdez

Música despertando... O martelo e a bigorna em plena atividade desde o primeiro abrir das pálpebras. São dois pequenos ossos, que juntos com o tímpano transformam ondas de compressão e descompressão do ar em estímulos nervosos interpretados pelo cérebro. Do outro lado, um aparelho emite essas ondas om um eletroímã. Eletroímã é uma bobina que, ao ser atravessada por uma corrente elétrica, gera um campo magnético. A variação na corrente faz o eletroímã e o ímã se atraírem e repelirem em determinada frequência, que ao ser interpretada pelo cérebro, interrompe o ciclo de sono humano.

Viva la Verdad

Sonho meio-acordado de menino
os olhos de azul-de-céu deslumbrados
Garanto que não
não posso garantir
a rota dessa flâmula ensangüentada
é filha do leme distante do meu punho
só me dizem para manobrar as velas
quando o sopro não atinge sequer meus cílios

Só o peso do menino
o frágil mastro da vida agüenta
lá sopra o vento do horizonte
sabe do fim da viagem
mas todo o mar está em sua íris
e o passado lhe marca os cabelos
sim, agora esvoaçantes
rebatendo as cordas soltas
e o Sol nasce, como se explodisse

Foi assim em algum momento do passado...

Pedras pequenas e escorregadias preenchiam a pequena estrada. O menino observava os pequenos brilhos com interesse. Talvez não soubesse ao certo o que significava aquele lugar. Talvez ninguém saiba. Havia uma placa, mas não conseguia ler o que estava escrito. Parecia um aviso. O caminho continuava adiante, logo desaparecendo em curvas misteriosas. Virou-se para observar as duas figuras que o seguiam.

Divulgar conteúdo