Liberdade é amar como se o mundo hoje terminasse sem que sua própria vida fosse importante

Minha primícia?

Espalha-se o meu eu como se espalharam seus seguidores. Sem entender nada, apavorados e sem fé, cada qual escondido em um canto sem esperança. Não entendendo nem passado, agora apenas um amontoado desorganizado de vagas lembranças, nem presente, choram pateticamente, nem mesmo de luto, talvez, mas como crianças imaturas quando não encontram mais os pais, ainda que tivessem sido avisadas.

E não me arde o coração, quando me fala dos livros e de sua vida, e de todo o Universo?

Advento

Em tempos de excesso, de compras, de chuvas, de festas, de calor, parece que sentimos este desconforto, o sentimento de que muito menos seria necessário. Porém, temos medo, não temos a coragem de João para nos despojarmos, não saberíamos celebrar com pouco, teríamos dificuldade em reconhecer que nossas expectativas são exageradas, que muitos dos nossos sonhos são feios e vorazes. Assim, podemos nos preparar para o Natal, reconhecendo nosso desconforto e preparando um caminho singelo, singular. Advento.

Sebastião Molina Sanches

Dois Anos

Como é de costume, o dia amanheceu nublado. Céu de muitos cinzas. A Ciudad esteve em intensas atividades ultimamente, acromática. Esqueceu-se de si. Não totalmente, nunca totalmente.

Mestre Campos

Às Vezes
Álvaro de Campos

Às vezes tenho idéias felizes,
Idéias subitamente felizes, em idéias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...

Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...

Manifesto Hoje

Não sou mais aquilo
Não estou gostando de só uma coisa
Não defino o que quero
Não enxergo o que me move

Parei de fugir
e comecei de novo
já não consigo me enganar
Sei quem sou
não gostei
e já não sei de novo

Uma tarde de sol e verde
é tão linda quanto as outras
mas não é como era
hoje é diferente
Gosto do pôr-do-sol
mas é como se ele agora fosse vivo
e não é nada
perto do nascer
o primeiro do hoje.

Tenho sono
fico acordado com café
somente amargo
pois no hoje a amargura tem seu papel

Parei de definir
Se uma coisa é, não sei
e também não me importa
se será, menos ainda

Se sou bom em algo,
o hoje me exige a contribuição
pois não sou bom em nada
na verdade, não sou bom

O hoje não tem nada
Não se pode querer ser nada
Hoje não se conhece o amor
é pouco tempo pra se contruir uma vida
Era melhor não ter acordado?
Talvez, mas o fantasma do amanhã
escraviza nossos cansados olhos
carregando a culpa do passado

No hoje, só vou sair
só vou ver o céu e sorrir
azul ou cinzento
tanto faz
se você falar
vou ouvir
e esquecer o porvir

Hoje só se é permitido esperar
e na esperança caminhar sem ver
ver é para cegos
Eu, que estou lúcido
não me meto à besta com isso

É com dor nas costas e no ego
com os espinhos do caminho do amor
um sorriso esboçado em rosto marcado
que o hoje nasce e brinca intenso
entre a aurora e o crepúsculo
morrendo feliz no coração do descanso

Concede-me, por favor,
a graça preciosa de hoje
só hoje
ouvir
e ver
e morrer
e só então,
ser...

Só um dia Nublado

Deixe-me desacelerar dessa correria louca sem fim
Deixe-me parar um pouco
Pare com isso
Deixe
me
só...

Só eu e você
em vista paralela
sobre a janela do mundo todo
Só há o nome
que quer verbo virar
pelas janelas da alma

Tenho só uma confissão
só estou para então
dizer que não ouvi o que devia
e nada se estabeleceu
pois nada quis ouvir
Se vácuo ou você
Ainda restar força pra escolher
ainda que pedras afiadas
a face me desfigurem
Só sei que nada sou
e nada restou.

E a música aconchegante

Remember...

Apesar da grande correria de agora (sem tempo pra escrever muita coisa), não posso deixar de lembrar que hoje é 5 de novembro

Deserto

Do pardo e árido cinza
arenoso e granular bege
que no horizonte embate-se
com o profundo e super-sereno
azul-infinito perdido
se cansaram meus olhos

Mas ainda há
o que ver, o que ouvir
o que dizer em meio à dor
o consolo, talvez amor

E eis que escuto suaves melodias
envoltas em saudosas harmonias
tristes brincalhonas no sótão
a remexer ferramentas enferrujadas
brinquedos esquecidos da verdade

Ah não, não é simples assim
(ou será que sim?)
Não tem sinal de fumaça
de batalha pra lutar
A vontade é de sair correndo

No Caminho do Mar Morto

Se enxergo já não sei
Se vejo é só o que tem
E nada de se seguir
Quem vem mais além
Nessa estrada morta de Davi
Com cegos pelos cantos
Só a gritar
Só a gritar...

Só se pode entrar aqui
meu caro amigo
se me derrubar meu templo
Se você manda por aqui
respeitado senhor
pergunta o que não quero

e me destrói, me corrói, não sou nada...

Sião das leis chegou ao fim...
Em você me encontro enfim.

--

Tiago da Costa

É uma coisa que normalmente não faço assim, à toa. Estou fazendo propaganda de um amigo, mas porque vale à pena mesmo. Conheci o Tiago no IPL 2007, e desde então estamos em contato. Ele é capixaba e pretende vir à São Paulo (SP), e precisa de oportunidades de trabalho como Designer Gráfico. Pra não ficar no blá-blá-blá, coloco aqui algumas das coisas que esse cara é capaz de fazer:

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