Vento da saudade

Se penso em quem fui
sinto saudade de mim
o eu que já se foi
e me marcou, pois era eu por dentro

Mas ao se ir deixou-me?
Sua presença é a ausência?
Eu vivo este outro eu
do qual terei saudade
mas que tristeza seria
se não me lembrasse,
pois se tornaram vento.
Sim, imateriais e intangíveis
mas também livres

Em seu silêncio me revelam
a eternidade e a esperança,
a minha pequenez no mar.

Sopram porém, sussurram
Ergo as velas e sinto,
pois não se pode compreender.

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Campinas, 22 de junho de 2012