Um dia pelo Rio

Mochila nas costas, poucas provisões, ânimo, um clima agradável (não muito quente) e algum dinheiro... Chegamos à Rodoviária do Novo Rio (ironicamente chamada por alguns de Velho Rio) às 5:30 da manhã, e deu-se início à nossa rápida aventura pela cidade do samba, dos morros, das praias e de muita história pra contar.

Eu, Jon e Jean não fomos ao Rio como turistas, embora pudéssemos parecer (eu e Jon com nossas caras de gringos e Jean, coreana). Sem conhecer nada da cidade e somente com mochilas nas costas, fomos atrás de condução para rodar pela cidade. A Rodoviária não é muito atraente, meio suja, feia e mal acabada (mas ainda é melhor do que a de Campinas). Uma central de informações foi o ponto de partida após um café com leite. Ops, devo dizer, um leite com um pingo de café. Folhetos muito bem feitos sobre os sistemas de transporte da metrópole fluminense, que nos foram muito úteis, uma pergunta e pronto. Vamos ao Corcovado.

Saímos da Rodoviária, e logo pareceu que saíamos de um hotel 5 estrelas, pois os arredores eram muito piores, terrivelmente sujos, malcheirosos, desorganizados e estranhos. Com certeza, a Rodoviária não era lugar feito pra turismo. Fomos ao ponto de ônibus, e reparamos que existem umas 20 empresas de transporte, com tarifas variáveis. Uma bagunça. Quinze minutos depois, identificamos o código que procurávamos e sinalizamos para o motorista. Qual não foi a surpresa ao saber que não era essa a linha, pois companhia era diferente. O sistema era tão desorganizado que existiam diferentes linhas com números iguais. Descobrimos o ponto certo, enfim, e depois de despachar um malandro que queria limpar meu tênis de qualquer maneira (tive que tirar meus pés do lugar para impedí-lo), tomamos a linha para o Corcovado.

Não foi um bom cartão de visita, e nos deixou meio ressabiados. Os primeiros trechos do trajeto mostravam um Rio sujo, cheio de lixo pelas ruas, desorganizado e aparentemente perigoso. Mas depois de algum tempo, chegamos ao Corcovado, e o ambiente se tornou bem mais hospitaleiro (me pergunto qual dos dois mais reflete a realidade). Era bem cedo ainda, 7:30 da manhã, e o primeiro trem não subia antes das 8:30. Uma cooperativa, que desconfio ser organizada pelas pessoas que trabalham no Cristo Redentor, ofereceu o transporte na hora, pelo mesmo valor. Enfim, subimos. O Corcovado é mesmo bem alto, e a sensação é de que subimos acima do nível das nuvens. O relevo do Rio é impressionante, com morros íngremes, paredões de rocha, e uma paisagem que se mantém bela, mesmo urbanizada. O Cristo Redentor estava vazio, devido ao horário, e foi bem tranquilo. Descemos no primeiro trem que subiu, e depois de ver bastante mato, com suas jacas e pequenos lagartos, embarcamos em outro circular rumo à praia de Copacabana.

Não sabia, mas logo notei que Copacabana é a praia da terceira idade. A média de idade das pessoas andando no calçadão devia variar entre 50 e 60 anos, sem brincadeira. Atravessamos quase que toda a praia, do Pão de Açucar até o Forte de Copacabana. Entramos no Forte, e como estávamos cansados, com calor e famintos, descobrimos ser o local ideal para nosso almoço, apesar de ser ainda 11:30. O Café do Forte estava instalado numa das salas do prédio antigo. Muitas mesas estavam ocupadas do lado de fora, mas achei pouco inteligente dar preferência ao clima abafado, sendo que o interior, decorado à la colonial, era climatizado. Deus seja louvado pelo ar condicionado. Ok, não é pra tanto, mas naquela hora foi essa a sensação. O local, a comida, o atendimento eram muito bons, me fizeram sentir num restaurante de classe alta, sem cobrar preços exorbitantes. Comemos umas massas, e seguimos para conhecer o forte. A "Fortificação" é muito interessante, com vários túneis formando um labirinto cheio de pequenas surpresas. Quem gosta de museus militares deve adorar, mas não recomendo visitar num horário quente. Não tem ventilação, e fica muito abafado.

Antes de deixar o forte, um delicioso café (para consertar o primeiro do dia), uma olhadinha no mapa, e vamos ao metrô. Queríamos seguir até Niterói, então fomos atrás do Metrô mais próximo. Algumas pessoas deram indicações, e não precisamos andar tanto para chegar lá. As Ruas perto de copacabana são muito agradáveis, diga-se de passagem. Se não estivéssemos com pressa, poderíamos até parar num dos barzinhos que se esparramavam em mesinhas pelas largas calçadas arborizadas. O metrô era grande, e a moça que vendeu as passagens nos indicou qual a estação mais próxima das barcas para Niterói. Se o Rio perde para São Paulo nos ônibus e na sujeira da cidade, então ele ganha no Metrô. E olha que achei que não tinha metrô melhor que o de São Paulo. A estação na qual paramos, a Carioca, mais parecia um "shopping" subterrâneo.

As proximidades da Praça XV de Novembro contém algumas preciosidades históricas, que infelizmente foram cruzadas sem muito tempo à perder. A arquitetura dos prédios vale uma parada e algumas fotos, e sei que deixamos de visitar muitos museus bons. Mas, estávamos apenas com algumas horas disponíveis, portanto fizemos muitos sacrifícios. A barca para Niterói era uma das velhas, e demorou um bocado para cruzar a baía. Enfim, chegamos ao outro lado, e demos uma passada num "shopping" (lotado, por sinal), para uma refrescada antes de seguir viagem. Perguntamos como chegar no MAC (Museu de Arte Conteporânea), e o guarda nos disse que à pé era longe, e levaria por volta de uma hora. "Ah, estamos aí pra andar hoje mesmo..."

Logo bateu o arrependimento.

Quarenta minutos de sofrida caminhada ao longo da orla sem praias de Niterói, e chegamos ao nosso destino. A paisagem vista do caminho, com destaque para as ilhas e o Pão de Açucar, é fenomenal, mas estávamos tão cansados que nem apreciamos muito. Mas o MAC é mesmo supreendente. A flor de concreto do Niemeyer é uma das maiores belezas da região, sem sombra de dúvida. Sem contar o caráter profissional e de classe de um Museu belo por dentro e por fora, isso pagando apenas 2 reais para entrar (preço camarada de estudante). A vista de dentro do próprio museu era fantástica, e rendeu boas fotos, além das muitas obras expostas. Quase comprei uma camiseta de lembrança.

Dessa vez voltamos de ônibus até onde havíamos desembarcado da barca, fizemos um curto "pit-stop" no "shopping" lotado, comemos um lanche, e pegamos uma van que nos deixaria na Rodoviária. Assim, depois de um longo e proveitoso dia conhecendo o Rio, estávamos retornando à desagradável rodoviária Velho Rio, onde ainda esperamos umas 2 horas num calor abafado antes de embarcar de volta para casa. Mas o sentimento de satisfação compensava. Uma aventura que podia ter dado errado, e ter tantos problemas, no fim fora um sucesso, e logo sonhamos em fazer "bate-voltas" em outras cidades também.

Pelo tempo que tínhamos, não pudemos conhecer muito bem o povo carioca, mas aqueles que nos deram informações foram muito prestativos e simpáticos. O Rio é uma cidade muito velha, e por isso muito diversificada e cheia de histórias para contar. Não me interessaria tanto de ir lá para conhecer praias, mas sim o resto da cidade que faltou. Não deu pra visitar a Barra da Tijuca, e daria pra gastar outro dia inteiro na Floresta da Tijuca. Mesmo assim, o "custo-benefício" foi bastante satisfatório. O Pão-de-Açucar ficou como uma parte da paisagem, talvez um dia iremos ao Bondinho.

o caipira na cidade

o caipira na cidade grande!hehezuera...mas achei legal a ideia de fazer tudo em um dia só!

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