Um ano...

O menino fitou o calendário, confuso... "Droga, é hoje"... Nem bem engoliu seu café da manhã após a longa noite de sono, vestiu sua camisa listrada azul e branca, deu uma arrumada nos cabelos, calçou as sandálias novas, e saiu correndo para a rua.

"Hoje é dia de festa"

Quando a Ciudad está à comemorar, seu céu não é azul bonito, com um Sol radiante, e um arco-íris. Afinal, a Ciudad é uma cidade diferente, uma cidade envolta em mistério e solitude. O céu está cinzento. Não aquele cinza abafado, monótono... Aquela mistura de muitos cinzas, a se sobreporem, em constante movimento, às vezes na tranquilidade, às vezes tempestuosos. A chuva dá as caras também, uma melodia. Não, a Ciudad não é melancólica, ela é uma mistura de sentimentos. Sua beleza está na sua tristeza superficial. Não é uma cidade comum, não senhor. E hoje a Ciudad comemora seu aniversário.

O menino cruzou algumas ruas, correndo como nunca. Já ouvia a música no ar, a brisa suave com cheiro de terra, sempre à arrancar um sorriso. No centro, uma multidão se reunía, mas estavam em completo silêncio. O menino abriu espaço até encontrar um lugar onde pudesse ver o que acontecia. Subiu numa caixa de madeira, e vislumbrou. Lá no meio, num pequeno círculo aberto na praça, havia uma figura. Era um sujeito com roupas bonitas, mas meninos não observam esses detalhes. Ele viu que o sujeito carregava um instrumento. E ele começou a tocá-lo. A melodia e a chuva brincavam alegremente, e tristemente. Ele começou a recitar uma poesia, mas meninos não lembram muito de poesia, mas achou bonita.

A história da Ciudad era contada e revivida... Nesse dia de bandeiras e céu cinzento, de dança e pensamento, a poesia tomou novamente conta da Ciudad. Era sua energia vital, seu sangue. E conta-se que ninguém ficou alheio, e todos pararam para ouvir. A Ciudad viveu guerras, viveu conflitos, dias de tempestade. Mas a Ciudad viveu dias de descanso e aconchego também. A Ciudad aprendeu um pouco de amor, e viveu ele. A Ciudad se perdeu, por momentos, e ninguém a encontrava.... Depois voltava. A poesia-melodia subiu. Não sei como música ou palavras podem subir, mas essa subiu. Parecia que formava uma coluna sólida, e todos foram gentilmente levantando as cabeças, fitando as grossas nuvens no céu. De repente, ali onde a poesia tocou o céu, um pássaro pequeno voou, primeiro suave, parte da canção, depois ganhou velocidade, e de um só golpe, perfurou as nuvens, como quem enfia um alfinete num chumaço de algodão. Houve silêncio, pois o homem havia parado de tocar e não tinha mais poesia.

O menino olhou ao redor, e viu os rostos. Não conseguia discernir alguns, pois a Ciudad é parecida com um sonho às vezes. Mas viu que muitos deles tinham saudade. Diziam, em seus olhos, que era saudade de muita coisa. Mas parece que todos se enganavam. Havia confusão em suas sobrancelhas. O menino estava pasmo, pois não sabia o que acontecia com a Ciudad. Afinal, os meninos não entendem muito dessas coisas de sentimentos. Pareceu à ele que a Ciudad estava em outro lugar, num lugar estranho, prestes à despencar. O menino então sentiu a angústia, e sentiu medo. Pois meninos sentem medo do que não conhecem.

O buraco no céu não seu fechou, pelo contrário, foi se alargando. E o canto do pássaro ecoou no silêncio fúnebre. E de repente, era como um som de muitas águas, preenchendo cada canto da Ciudad... A música descia, como uma cachoeira, se espalhando por toda a praça. O homem do meio estava parado, estático, como seu não fosse surpresa. A música trazia uma certa dor em todos. Uma dor boa, como se estivesse curando. E acendia um brilho no olhar. De repente a Ciudad se viu no lugar errado, porque a Ciudad não é uma cidade comum, e muda de lugar...

O menino olhou para o buraco crescente, de onde vinha toda a melodia, e se lembrou de uma amigo por lá. Um facho de luz branca iluminou a praça, e trouxe junto toda a festa. A cor tinha desaparecido até mesmo de suas listras, mas agora não havia nenhum cinza em toda a Ciudad a não ser pelo céu, que continuava sua música, agora anexada à alegre melodia da festa. Sereno. Toda a gente, matada a saudade dos olhos, passou a dançar e cantar, alegres, pois lembraram-se do lugar onde a Ciudad deveria estar. O menino sorriu, só na multidão, e correu abraçar o homem no centro, os dois únicos que estavam parados nesse momento...

Feliz Aniversário à Ciudad...

Um ano, a gente descobre as

Um ano, a gente descobre as coisas mais fantásticas. Descobrimos que podemos viver fantasias sem nos preocupar com o que vão pensar da gente. Também descobrimos que nossas fantasias são capazes de mudar os rumos das gentes.

E também que nossas fantasias são os sonhos mais dignos de serem sonhados.

E que todos os anos podemos descobrí-las ainda mais.

Vivas à Ciudad.





Ciudad, uma cidade que me

Ciudad, uma cidade que me encantei por conhecer, e concerteza estou a festejar no meio da multidão. Mas, meninas também não sabem.....

Dude! Nice! Where is tCiudad?

Dude! Nice! Where is tCiudad? How can I get there?

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