Terra à vista!


Toda vez que sinto
Que não há lugar no mundo
Para meu solitário coração
Tenho a impressão de ser mais um
Que gostaria de viver em outras terras
Outros tempos, outros mundos

Ainda assim, por detrás da gaiola
Alguém pede apreciação
Por favor, suplica ansioso
Capaz de metamorfose sombria
À agradar olhos de pouco valor

E, de repente...
Nada
tem
sentido...

Sentamos no chão
Cada qual apoiado em sua parede
Na cela da alma
Seus olhos vazios
Vazios de esperança, de sentido
Vazios de vida
É só uma casca vazia
Nem falar pode por si mesmo
Sua respiração é morte
É desespero
É angústia

Sem sentido
Que coisas tenho eu sentido
Que tenho, sim, sentido
Que tenho esperança
Tenho ouvido
Sussurros da terra
Pulso fluido de vida
Aroma suave do campo
Sinfonia, harmonia, segue o dia
Uma voz, calma monotonia
Eco da eternidade
Desfaz minha companhia sem valor
Brilha Sol forte
Brilha na escuridão
Brilha em mim às vezes
E se o amanhã não brilhar
Correrei e buscarei
Onde esconderam as velas
As velas acesas do cruzador
Dos mares sem fim
Navegar...
Navegar...
Navegar...
Fitar um horizonte sem fim
E esperar, paciente
O Novo Mundo emergir do fundo dos olhos
Lá tem lugar
Para os corações errantes
Lá é destino, é fim, é começo
é fim de solidão
é começo de tudo.


(Imagem por ~uvar)

Para coraçoes errantes e

Para coraçoes errantes e peregrinos esperemos o lá, onde baterão na mesma frequência daquele que virá.