As peças que vão se encaixando

Tenho refletido à muito tempo sobre a minha vida. Tudo bem, algo bastante genérico, todo mundo faz isso, não faz? Claro, é crucial. Mas o que se costuma fazer é refletir sobre a vida pessoal, refletir sobre a vida profissional, refletir sobre a vida espiritual. Isso faço desde que me entendo por gente (apesar de nem sempre serem reflexões profundas). A reflexão à que me refiro parte do princípio que minha vida é uma coisa só. Superando as divisões que se fazem desde o mundo grego, superando as divisões da vida moderna, entre outras. Mas quando procuro vizualizar minha vida como esse todo (à saber, as parte por si só reconciliadas com Cristo), enxergo um quebra-cabeça, um vaso quebrado. Reconstruí-lo, montá-lo, parece tarefa humanamente impossível. E na verdade é! Assim, boa parte das minhas meditações de tempos para cá foram no sentido de tentar encaixar as peças no seus devidos lugares.

Na semana passada, estive no Curso de Férias da ABU, região SP/MS. É um encontro principalmente para estudantes (na maioria universitários) envolvidos ou desejosos de se envolver na missão que Cristo nos deu ao nos colocar dentro da Universidade. É um meio bastante plural, repleto de sentimentos, pensamentos e visões diferentes. Mas com um objetivo único, claro, e que é capaz de unir todas as visões e idéias em um propósito maravilhoso. E por que não diríamos que pode unir as partes de um ser humano? O tema do encontro foi "Missão e Vocação: Eis a questão". Já sabemos que, como estudantes, somos chamados à proclamar o evangelho aos outros estudantes. Mas e como profissionais? Vamos simplesmente trabalhar para sobreviver e sustentar a obra? Vamos gastar 60% do nosso tempo produtivo da vida apenas angariando recursos? Faço uso da passagem citada na reflexão de Marco Antônio, que nos falou um pouco à respeito disso no encontro: "Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.” (jo 6.27). Ao que tudo indica, Jesus tinha um propósito muito maior nessa área de nossa vida. Tinha não, tem! Não se engane, ele não está falando de trabalhar pela igreja ou da simples administração do tempo que gastamos com ministério. É bem claro que ele fala da nossa profissão, do que fazemos para ganhar nossos sutento. Cristo propõe uma nova maneira de viver, ao longo de todo evangelho, e isso inclui a profissão do novo homem. Deus nos criou não apenas para desfrutar de uma criação pronta, mas para ter parte num contínuo processo criativo. Para isso, nos deu habilidades das mais diversas, e infinitas possibilidades de criar e inventar. E não um criar necessariamente utilitarista. Deus criou o mundo e viu que era bom. Nós podemos criar um equipamento, um texto, ajudar alguém, defender um ponto, etc... e ver que é bom! É maravilhoso notar como Deus deseja compartilhar conosco seu prazer em criar! Nosso trabalho, por isso, é essencialmente ligado à nossa relação com Ele. Fazemos, criamos, executamos, por que isso é divino, é o que Ele nos permite fazer. Nosso mandato cultural, dado à Adão, se desdobra no exercício de nossas habilidades hoje. Citando novamente a reflexão de Marco Antônio:

"
O que é que permanece para a vida eterna e nunca morre e pelo qual eu devo trabalhar? É simples. A relação com Deus. Eu trabalho antes de tudo por causa desta relação. Isto significa dizer que eu trabalho para experimentar a Deus em meu ambiente de trabalho. Eu experimento Deus fazendo com afeto o que é bom. Faço assim, porque naquele exato momento estou experimentando sua bondade. Faço o que gera vida. O que aperfeiçoa. O que evolui para melhor. Eu experimento Sua grandeza e beleza e assim minhas mãos ou pensamentos se ajuntam para aperfeiçoar, amadurecer, vender mais e melhor, prestar excelentes serviços aos destinatários de meus produtos. Trabalhamos para a vida eterna, quando nossa ambiência profissional se faz em um lugar de contemplação de Deus, de adoração. Experimentamos ali seu poder de gerar em nós paciência, amor e serviço. É um espaço de excelência, de relacionamentos, afetos, amizades, evangelização etc. Neste sentido nos alimentamos da comida que não perece, que nos amadurece, e, sobretudo nos faz imensamente feliz. O que sempre permanecerá para a vida eterna é nosso relacionamento com a Trindade e com os irmãos. É por isto que vale a pena viver e morrer por isto."

Com toda essa reflexão, boa parte acontecendo no Curso de Férias, mas uma peça do quebra-cabeça se junta ao todo. Ainda digerindo todo o conteúdo, outras peças tomarão seu lugar. Assim, assumimos de fato nossa identidade como seres humanos, aqueles que tinham sido originalmente criados, mas que foram quebrados e destituídos ao pecar. Com Cristo finalmente encarnado, mostrando à nós como Deus é e como o homem deve ser, ganhamos esse novo alvo de integridade, de missão. A Boa Nova, uma vida totalmente transformada, agora disponível à todos os homens! Essa é a notícia à ser proclamada, a ressureição do homem! A revolução do Nazareno!

Que possamos daqui em diante parar de fugir dos cacos que vemos desmontados de nossa vida. Parar de varrê-los para baixo do tapete. Que nossos momentos de contemplação e adoração não sejam momentos em que nos dissociamos de nossa vida para nos achegarmos à Deus, mas que aprendamos à aceitar que Deus entre na nossa história e à transforme. Isso significa permitir que ele mude nossa visão à respeito da nossa profissão, do nossos relacionamentos, das nossas atividades. Deus quer que vivamos com ele à todo momento, seja o que for que se faça. Isso tem mudado a minha vida, a medida que compreendo Cristo em partes um tanto inéditas da minha vida. Lembro-me que orei para que Ele viesse à fazer parte de TODA a minha história no início do CF, e me comprometi à não fugir mais, à não dissociar meus momentos de silêncio com Ele em escapes da minha vida. Agora é possível entender o que é ser um com Ele, e o que nos aguarda ao nos tornarmos iguais à Cristo na Eternidade.

Reflitam e orem. Orem muito, não aquela oração ritual, mas aquela conversa sincera com Deus, sem medo, sem protocolos.

Um grande abraço e, eu espero, um bom resto de nova vida à todos!

Dentro desta reflexão,

Dentro desta reflexão, gostaria de sugerir a seguinte oração:
"Thank You, Father, that You reveal my own brokenness, not in order to condemn me, but to rebuild my life. I give to You all that is in ruins and ask that You rebuild me into the person You want me to be." extraído da meditação 'Broken Walls, Broken Lives '( Aug 1) do livro The Power of His Presence de Ray Stedman www.RayStedman.org

Uau, glauber!Queria que

Uau, glauber!

Queria que estivéssemos mais perto pra compartilhar essas coisas que Deus tem falado. Seu texto me falou muito aqui dentro, cara...

Esses dias orei ao Senhor, pedindo que Ele me revelasse porque vale a pena "viver e morrer pelo evangelho". Como essas coisas tem ficado guardadas aqui! Como eu quero conversar sobre isso! E orar junto e crer mais...

De qualquer forma, estamos aí. Há internet, skype, msn... sem falar que provavelmente visitarei bastante São Paulo agora, hehehe!

Grande abraço!

Tiago da Costa / Vila Velha-ES









gosto de ler tudo o que vc

gosto de ler tudo o que vc escreve para você, sobre você, sinceramente bem escrito

Glauber, meu caro raro...Quem

Glauber, meu caro raro...

Quem bom sempre encontrar preciosidades por aqui... Reflexos do que o Espirito tem soprado na sua vida

Sigo aprendendo com vc..

abraços
Du






Olá Glauber, tudo bem??? Li

Olá Glauber, tudo bem??? Li seu texto sobre o CF e percebi a intensidade de suas emoções alí descritas e também uma maturidade inegável. Fazendo uma leitura cuidadosa da reflexão, pude notar o fluir do Espírito Santo em suas palavras. E te digo, você realmente será muito usado pelo Senhor em sua vida profissional, e tenho certeza de que já está sendo muito usado em seu viver, nos locais que freqüenta, com seus amigos, em sua rotina diária! Outrossim, pude entender o seu anseio em buscar cada vez mais a face do Senhor, deixando que Ele o transforme, o faça melhor, termine de encaixar as peças outrora separadas. E serei muito sincera contigo. Você me ajudou e muito, uma vez que chego à conclusão, na insignificância do meu ser, de que tenho muito a aprender. Sobre a vida, sobre as pessoas, mas principalmente sobre Deus, e Seu imensurável amor! Obrigada por ser meu amigo,não obstante eu já te conhecesse pela singularidade de seus poemas, mas agora devidamente apresentados.

Paz do Senhor Jesus Cristo,

Paz do Senhor Jesus Cristo, meu querido e amado irmão que tive a oportunidade de conhecer antes de chegar aos céus!

Diante dos comentários, do Tiago, do Du, e outros, só me resta dizer o que sempre estava escrito na camisa do nosso amigo Da Hora: "TOCOU-ME!"

Deus te abençoe e nos ajude manozinho, nesse firme propósito, em nome de Jesus, Amém!!!!!!!!!!