Minha primícia?

Espalha-se o meu eu como se espalharam seus seguidores. Sem entender nada, apavorados e sem fé, cada qual escondido em um canto sem esperança. Não entendendo nem passado, agora apenas um amontoado desorganizado de vagas lembranças, nem presente, choram pateticamente, nem mesmo de luto, talvez, mas como crianças imaturas quando não encontram mais os pais, ainda que tivessem sido avisadas.

E não me arde o coração, quando me fala dos livros e de sua vida, e de todo o Universo?

É um final, que sempre precede o recomeço. E cada dia é uma nova história, e cada dia a seu tempo exige-me sua luta, apesar de fraco, sua canção, apesar de vazio, seu amor, apesar de não tê-lo. Se largo, porém, o estúpido papel de espectador dessa história, apesar de não ser protagonista, passo a viver de fato. E fato, verdade e verbo são contentamento suficiente. Nem sempre será alegria, pois tristeza tem seu papel, mas sempre haverá esperança.

E permaneceu sentado em silêncio, contemplando sua pequenez satisfatória, enquanto chovia lá fora um milhão de pedaços de estrada esperando-o pacientemente.

Não, não é tão triste

Não, não é tão triste assim...

Pelo contrário, é a síntese da esperança, o salto de fé depois da conclusão do existencialismo. Só faz sentido essa fé ser o que é se todo o resto for inutilidade, se ela for a única flor do jardim.

Comentar

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Tags HTML permitidas: <a> <em> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd>
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.

Mais informações sobre as opções de formatação