Horizonte distante-ante-ante...

"Ufa!", terminou de subir no morro. O menino já estava cansado. Sentou e vislumbrou os arredores. Sorriu. De fato, o viajante estava certo, era um novo horizonte. Mas não era o primeiro. Ele se lembrou de tantos outros do passado. Aprendeu que por maior que pareça um horizonte, não se pode ver tudo nele. Tem horizontes vizinhos, tem horizontes opostos, tem até aqueles horizontezinhos dentro dos maiores. Cada um é único, importante.

O menino ergueu o pescoço pra ver o céu. Azul. Lá trás tinha sido o maior nevoeiro. Mas também não era o primeiro. Nevoeiros são belos em si mesmos. São uma mistura de silêncio, água, tranquilidade. Na verdade, também é um pouco de céu-azul que desceu pra ver os homens e ficou meio triste. Mas tem que ter cuidado com nevoeiros: "Não sai do caminho!" o viajante muito sábio alertou.

Descendo os olhos do céu azul, viu o menino emergindo da trilha que trazia até o topo. observou as rachaduras nas pedras, feridas desse mundo. O poeta estava inquieto. Buscava os montes porque estivera andando muito por caminhos desconhecidos. Seu instrumento havia mudado (os intrumentos dos poetas mudam, e eles ficam estranhando, sem saber tocar). Mas a verdade, é que ele esteava menos absorto de si, depois de muito tempo. Estava na busca da música para os olhos-verdes. Precisava cantar a Ciudad para ela. Ela que havia chegado no último vagão, um acontecimento marcante de fim-de-verão. Num raro momento, o poeta sorriu diante do seu insignificante tamanho, e na ausência de céu-azul que ele tentava apanhar.

Ouviram dizer que o bárbaro estava ocupado com suas guerras, e não ria muito ultimamente. Andou brigando, pelo que se diz, e depois ficou chorando pelos cantos da Ciudad, feito cachorro ferido. O menino se lembrou e sorriu. Lembrou-se seus joelhos ralados, olhou o céu novamente, desfrutando de seu novo horizonte. A menina lá embaixo chamou. Antes de ir, lembrou da Ciudad e de quanto ela é triste e sofrida às vezes. Mas ele sabe:

"Os bárbaros são tristes porque não vêem além de um palmo.
Os poetas vislumbram o horizonte,
mas são tristes porque sabem que nunca se chega
no céu que toca o ponto mais distante
Só o menino sabe que a Ciudad um dia vai encontrar o céu-azul,
na linha do horizonte, onde o Sol dorme à noite, onde a gente é inteiro."



E correu para brincar com olhos-verdes, como se nem houvesse mais horizontes. o poeta que continuava arranhando o instrumento se conforma em não entender, porque só meninos conseguem fazer isso.

Já te disse o que pensava a

Já te disse o que pensava a respeito do seu post, mas fiquei com vontade de ser uma namorada presente (quase nem sou...hehe) e te deixar um comentariozinho...
Gosto das suas confusões, mas, como já te disse, às vezes fico frustrada por não compreendê-las completamente.
Acho que talvez seja esse o objetivo, so, congratulations...haha
Gosto de te ler =p
E fico feliz de me sentir personagem das suas histórias =)

Beeeijo

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