Hein?

Existe uma teoria, bastante aceita e apoiada no meio acadêmico, de que eu arrumo alguma coisa para postar e não deixar nenhum mês em branco. Essa mesma teoria discorre à respeito do conteúdo muitas vezes ser "arranjado" e um tanto fraco.

Entretanto, uma recente teoria, na verdade nada recente, aponta para um motivo bastante justo para tudo isso. Não é o excesso de atividade que me mantém longe. Eu sei quebrar a rotina pra despejar sentimentos diversos aflorados e engarrafados no meu pequeno caderno (e posteriormente aqui mesmo). O que seria então? Superficialidade? Conformismo? Não, teorizo (e agora confesso, as duas teorias são minhas mesmo) que é a satisfação e a completude que me afastam da poesia. Será? Talvez não seja no futuro. Mas só pra poder quebrar com as duas teorias, estou colocando essa reflexão. Assim, não resta nada de grande importância do que eu penso, exceto uma bela risada de alguém que perde um debate para si mesmo.

Voltando à poesia, segue uma velhinha pra lembrar de Campos (de novo!)


Apontamento
(Álvaro de Campos)

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Essa da dos cacos me é

Essa da dos cacos me é familiar...Mas, como dizem por aí, é dos cacos e do pó que a gente pode recomeçar. God Bless u

Comentar

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
  • Endereços de páginas de internet e emails viram links automaticamente.
  • Tags HTML permitidas: <a> <em> <strong> <cite> <code> <ul> <ol> <li> <dl> <dt> <dd>
  • Quebras de linhas e parágrafos são feitos automaticamente.

Mais informações sobre as opções de formatação