Espera a dança...

Me lembro de épicos, com suas cenas de batalha, quando o herói chega num nível crítico de exaustão e desânimo, ferido, angustiado. Classicamente, algo surge que lhe coloca um brilho nos olhos, um fogo. De repente, ele ganha uma nova energia, o que é decisivo ao combate. Por diversas razões, me sinto exatamente nesse ponto. Digo que, durante esse fim-de-semana, vivi o hiato do fim-de-batalha, vislumbrando a derrota iminente, e agora, após trazer à memória o que me norteia, o que me faz sentir-me vivo, ganho um novo ânimo. A força me retorna aos membros. A visão desembaça, a mente fica limpa. Não há mais dor ou angústia. O momento de lamentar os mortos passou, e o momento de construir ainda não veio. Ao hoje, só resta a batalha, e da luta não me retiro.

Conversamos hoje de manhã
Bebemos café, água, chá
Comemos pão, torta, palavra
Vivemos vida, família
Resolvemos, Revolvemos
Dissecamos o coração
Curou
Sarou

Conversamos hoje de tarde
Falamos de si, de ti, do outro
Fizemos perguntas
Demos respostas
Tiramos dúvida
Trouxemos à luz
Trouxe a luz
O tempo não é mais aterrorizante
O tempo já não é mais...
É menos
Espero que esperemos
A esperança alimenta a alma
A paciência rega o amor
E sigamos na luta
A batalha do Sol que raiou à pouco
E se recusa à deixar de morrer
E se recusa à deixar de nascer!

o tempo já não é maiscomo se

o tempo já não é maiscomo se eu tivesse escrito :*