Diálogo

Tá bom,
eu admito...
Cada um se encaixa numa fenda
do intrincado e abstrato desenho
de milhares de rachaduras
que se espalha pelo meu eu.

Não,
não me pergunte...
Porque a resposta vai partir do racho
e eu nem os conheço direito ainda.
Talvez seja o gosto amargo-doce de consciência
ou o arauto quase-insuportável da desistência.

Sim,
pode ser
que um dia os buracos se tornem gente
e as gentes se conversem assim, numa boa
e não me preocuparei mais com elas
mas com certeza algumas têm que morrer

No fim
não importa muito
são só meras impressões de um ser em metamorfose.
O Sol de amanhã pode não encontrar o casulo
e seus rachos não serão nem lembrados
mas se existem devem ter seu papel.

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