Conversa de outono

Lágrimas de um céu cinzento
Outono que se estende pela fronteira
intangível, suas folhas secas flutuam
repousam em nosso ser

São palavras murmuradas, sinceras
folhas que precisam cair e dar passagem
mas voam ainda, pela primeira e última vez
contam sua história, que ouço

Seu coração se abre como nunca antes
e dele flui a harmonia dissonante da vida.
Os pés gelados caminham, morro acima
celebram o vento frio e os temores
a bela condição humana

Incertezas vividas e revividas
tais quais se veem nessas folhas
Ao que se compara uma experiência?

Meus olhos enchem, já não sei
se pelo vento ou empatia, tanto faz
Quem pode separar o amor do abraço,
o espírito da carne?

Escrevemos a história, nosso tesouro,
nestas páginas que nos deram
não se pode escrever em outras
Imperfeitos, inconstantes, inseguros
seguimos nosso caminho, no amor e coragem