Cegos na estrada

Na beira do caminho, ali depois de Jericó. Estamos por ali, sentados, à mendigar. Somos cegos pelo caminho, carentes de tudo. Não podemos seguir adiante, pois tropeçaremos no primeiro abismo.

Mas apuro os ouvidos. Uma multidão segue pela estrada. E falam de alguém. Eu sei quem é, é quem esperei a vida toda, a única esperança que me mantém vivo. Esse é o momento. Só ele pode. E estamos a chamar e gritar: "Filho de Davi, tenha pena de nós!"

A multidão de corações de pedra, seres humanos imperfeitos, não se compadece de nós. O homem não ama, não sente a dor. Mas não me importa, pois ele não é a multidão, ele é único, e ouve nosso clamor. "Nós queremos ver!"

Basta-lhe um toque de pura compaixão e amor por nós, cegos da estrada, e temos adiante de nossos novos olhos, um caminho, e só há este, e ele segue à frente. O que nos resta senão seguí-lo? Já temos toda a alegria, e podemos enfim caminhar à Jerusalém.

(inspirado pelo Evangelho segundo Mateus, capítulo 20)

Estou agora de férias das aulas. Isso me dá uma tranquilidade muito grande, e faz voltar à mim a criatividade e as idéias. Bom, vou deixando algumas sensações por aqui. Se não conseguirem ver, e ouvirem rumores de Cristo ao redor, não liguem para a multidão, e procurem por ele.

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